Saiba quais personalizações automotivas são permitidas no Brasil antes de deixar seu carro com a sua cara e evite multas!
Personalizar o carro é muito mais do que uma simples escolha estética: é uma expressão clara de identidade e estilo. No entanto, quem deseja modificar seu veículo precisa estar atento às leis de personalização automotiva vigentes, que variam bastante conforme o país e podem gerar dúvidas sobre o que realmente é permitido. Afinal, ninguém quer que a paixão pela customização resulte em multas ou problemas legais.
Neste artigo, vamos esclarecer de forma detalhada quais são as modificações autorizadas pela legislação brasileira e comparar com algumas das regras internacionais, oferecendo clareza e segurança ao leitor apaixonado por automóveis.
O que pode ser modificado no Brasil?
No Brasil, as alterações automotivas são reguladas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e pela Resolução nº 292 do CONTRAN, que estipulam regras rígidas para garantir segurança e ordem no trânsito. Confira abaixo as principais modificações permitidas por lei:
Suspensão (rebaixamento e elevação)
Modificar a suspensão é uma das personalizações mais populares entre os brasileiros. De acordo com o CONTRAN:
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O veículo pode ser rebaixado ou elevado desde que a alteração não ultrapasse a altura mínima de 100 mm (10 cm) do solo até o ponto mais baixo do veículo, incluindo para-choques e escapamentos.
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Após a modificação, o proprietário deve solicitar uma nova inspeção veicular para regularizar a alteração junto ao DETRAN.
Rodas e Pneus
Alterar rodas e pneus é permitido, desde que as rodas não ultrapassem os limites dos para-lamas do carro. Além disso:
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O diâmetro externo do conjunto roda/pneu pode variar no máximo 3% em relação às dimensões originais do veículo.
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Pneus de perfil baixo ou esportivos são permitidos, desde que mantenham as especificações de segurança do fabricante.
Valores médios dessas modificações no Brasil variam entre R$ 2.500 a R$ 15.000, dependendo da qualidade e marca dos componentes.
Mudança de cor ou envelopamento
Trocar a cor do veículo é permitido, mas exige uma atualização imediata no documento (CRLV). Já o envelopamento também está liberado, desde que:
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Não ultrapasse 50% da área do carro caso mantenha a cor original predominante. Se o envelopamento ultrapassar essa marca, é necessário alterar a cor registrada no documento.
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Cores cromadas ou metálicas refletivas são proibidas por causar distração aos motoristas.
Envelopamentos completos têm valores entre R$ 2.000 e R$ 8.000, dependendo do material utilizado.
Modificação na iluminação
Luzes automotivas têm regras claras:
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Faróis principais só podem emitir luz branca ou amarela. Xenon ou LED são permitidos, mas exigem homologação específica, ajuste correto da altura e equipamentos de fábrica ou de qualidade certificada pelo INMETRO.
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Lanternas traseiras e de freio devem manter a cor original (vermelha ou âmbar).
Mudanças ilegais na iluminação são passíveis de multas e retenção do veículo.
Modificações no motor
Alterações no motor são permitidas desde que não alterem significativamente a potência original (limite máximo é 10% acima da potência original) e sejam aprovadas em inspeção técnica. A instalação de turbos e superchargers, por exemplo, deve seguir rigorosamente as normas do CONTRAN.
Essas modificações custam entre R$ 5.000 e R$ 20.000 e exigem homologação rigorosa para serem legais.
Como são as leis em outros países?
Cada país tem suas próprias leis e exigências, variando conforme segurança, meio ambiente e tradição cultural automotiva.
Estados Unidos – a liberdade com limites regionais
Nos EUA, leis de personalização variam muito de acordo com o estado:
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Na Califórnia, modificações no motor e sistema de escape são muito restritas devido às normas ambientais rígidas (CARB – California Air Resources Board).
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Já em estados como Texas ou Flórida, há maior liberdade para personalizações extremas, especialmente em pick-ups e SUVs, com suspensões elevadas e rodas grandes permitidas legalmente.
Alemanha – rigor absoluto
Na Alemanha, as modificações são extremamente controladas pela TUV (entidade reguladora alemã):
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Cada modificação, como suspensão, rodas, pneus e até acessórios aerodinâmicos, precisa passar por uma rigorosa inspeção técnica antes de serem legalizadas.
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Alterações sem certificação são passíveis de multas pesadas e podem resultar na apreensão do veículo.
Japão – tradição e cultura automotiva
No Japão, o órgão regulador Shaken realiza inspeções periódicas rígidas:
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É permitido modificar carros extensivamente (bodykits, rodas, pintura), desde que tudo esteja devidamente homologado e certificado pelo Shaken.
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Mudanças drásticas como turbo, suspensão e exaustão precisam obrigatoriamente atender critérios de segurança ambiental extremamente rigorosos.
Quais modificações são estritamente proibidas no Brasil?
Apesar das possibilidades, há modificações proibidas pela legislação brasileira que merecem atenção:
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Filmes espelhados ou extremamente escuros (abaixo de 28% de transparência).
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Alterações no sistema de escapamento que aumentem significativamente o ruído do motor.
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Adesivos ou pinturas refletivas que confundam ou distraiam outros motoristas.
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Retirada de itens obrigatórios, como retrovisores, para-choques e airbags.
Além de multas pesadas (até R$ 293,47) e perda de pontos na carteira, o veículo pode ser apreendido até regularização.
Entender a legislação de personalização automotiva no Brasil e no mundo permite expressar sua identidade ao personalizar seu carro, respeitando limites legais que garantem segurança e harmonia nas estradas. Ao realizar qualquer modificação, busque profissionais experientes e homologados para garantir que seu estilo esteja sempre alinhado às regras vigentes, protegendo você, seu veículo e seu investimento.